segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Caderno +MAIS e a violência.

Neste domingo, o caderno +MAIS da Folha de SP trouxe como matéria de capa uma discussão sobre pensadores brasileiros falando da questão da violência, sendo que o que traz à tona o assunto é o assassinato de um garoto de 7 anos que foi arrastado por quilômetros por um carro.

O artigo tentava trazer explicações para o porquê disto ter ocorrido, e como pode haver uma solução para o problema da violência no Brasil.

Não ando sendo capaz de ler ou ver nada na mídia sem prestar mais atenção nas entrelinhas do que nas linhas.
O artigo traz opiniões de pessoas bastante respeitáveis e que trabalham o tema de forma bastante satisfatória. Um deles inclusive coloca no artigo várias das reações, opiniões e propostas dos leitores do jornal e dá suas respostas sobre elas. Os leitores opinam: "Falta policiamento", "É necessário mais ensino religioso", "Diminuir a maioridade penal ajudaria?". O Jornalista responde dando suas opiniões. Uma interessante leitura de linhas.

Vamos às entrelinhas.

A grande dificuldade em se tratar de um tema como a violência urbana está no fato de que este assunto mexe com nossas emoções muito mais do que com nossa razão. E eu acredito que o grande problema de se lidar racionalmente com um problema emocional está no fato de que geralmente as respostas racionais ao problema não o resolvem. Soluções de algo emocional envolvem geralmente uma incrível dose de atitude contra-intuitiva. Envolve fazer coisas que não se pensaria em fazer geralmente, pois elas não parecem fazer sentido uma com a outra.

Não vou entrar neste assunto agora, na contra-intuição, porque isto é muito complexo e controverso, inclusive para mim. Teria de falar sobre Stephen Levitt e outros pensadores, mas não acho que este post seja o melhor para isto. O que quero ressaltar mesmo é que o Caderno +MAIS fez uma artigo sobre a violência se baseando em um exemplo extremo, do tipo que envolve muito mais nossas emoções do que nossa razão, e por este motivo acho que seria mais importante se estudar impactos emocionais causados por este crime do que dar respostas racionais a problemas que não vieram à tona graças à nossa razão. No mínimo, seria uma abordagem inédita do problema.

Petrus.

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